Tenho observado que nos últimos meses tem aumentado o número de vagas na área de inteligência e estratégia nas empresas. Como acompanho os principais sites de contratação de profissionais especializados (Catho, Manager, InfoJobs, Emprego Certo, etc.), vi crescer o número de ofertas de trabalho para quem tem experiência e/ou formação na área de inteligência.
A tendência ocorre tanto para vagas operacionais – mais numerosas – como para áreas de coordenação e gerência. A predominância das vagas está em São Paulo, mas o movimento é natural. Na medida em que mais e mais empresas nacionais instalam funções de inteligência ou estratégia em suas próprias estruturas internas, mais e mais profissionais serão necessários. Eventualmente, as empresas da região Sul também começarão a seguir essa tendência. Não acho que deva demorar muito. A competição, afinal, é global.
A formação em administração ou marketing são as mais pedidas, embora engenharias em geral também apareçam na lista. Biblioteconomia ou comunicação são pouco reconhecidos como cursos que possam contribuir para a formação de um profissional de IC ou estratégia. Em parte por conta dos currículos das escolas, que realmente não focam nesse viés de carreira.
Tenho lido muito sobre o mercado imobiliário, especialmente de São Paulo e e Florianópolis. O assunto foi até pauta para o New York Times em diferentes ocasiões. Há alguns meses tenho acompanhado os imóveis na capital catarinense e creio que há uma tendência interessante a se ressaltar: os imóveis de baixo padrão e de altíssimo padrão estão em alta, enquanto os de médio padrão estão enfrentando dificuldades para venda.
Digo isso porque o crescimento imobiliário na periferia – principalmente em São José, Palhoça e Biguaçu – é impressionante. Por outro lado, os imóveis em zonas nobres, como Beira Mar Norte, Lagoa da Conceição e Jurerê Internacional, seguem com preços estáveis. Já não vendem tão fácil quanto no passado, mas ainda têm seus preços mantidos.
Já apartamentos e casas em bairros conceituados, mas não tão nobres, como Ingleses, Coqueiros, Trindade, Jardim Anchieta, enfrentam dificuldades de mercado. Uma cobertura que está há venda há mais de seis meses, no centro de Florianópolis, já teve seu preço reduzido três vezes. No Abraão, um duplex com vista para o mar está custando apenas duas vezes mais do que um apartamento de mesmo tamanho em Palhoça, só que novo, e portanto mais fácil de financiar. O movimento do mercado é, no mínimo, interessante. Seguiremos acompanhando.
Não conheço nenhum case de inteligência competitiva em gravadora ou produtora de shows. Alguém sabe de algum? Estive pesquisando e não achei nada. Mas quem faz IC não sai por aí apregoando, não é verdade?
Ainda assim, acho que não deve haver muitos cases mesmo, se é que há algum. O que não deixa de ser interessante, já que o monitoramento de tendências é essencial para o lançamento de sucessos musicais. Não sei se é porque se trata de algo muito impalpável ou porque os executivos do setor ainda não se deram conta que as técnicas de IC podem ajudar no processo de decisão. Seguirei tentando descobrir.
Uma das minhas técnicas preferidas de inteligência competitiva é o acompanhamento dos chamados sinais fracos. Ler esses sinais é a forma mais viável de se adiantar aos movimentos da concorrência. Há algum tempo venho trabalhando numa metodologia que une sinais fracos, fatores críticos e análise SWOT. É uma maneira bastante produtiva de manter um olhar focado sobre possíveis sinais que afetem os negócios de uma empresa.
Infelizmente, ainda não consegui um cliente que aceitasse experimentar essa metodologia, cobrindo apenas as despesas internas da própria empresa. Alguém se habilita?
Conheci Ben Gilad há alguns anos, num evento da SCIP. Na ocasião, conseguiu quase unanimidade negativa ao criticar veementemente o Brasil, dizer que inteligência usando redes sociais era uma bobagem e ao levantar outras pequenas polêmicas. Pessoalmente, achei-o bastante sensato – sim, eu também acho que inteligência de verdade não se faz com redes sociais – e tenho acompanhado mais de perto suas intervenções nesse mercado de IC.
Na edição deste mês da Scip Insight há um artigo dele, muito interessante, vendendo a idéia de War Game. É uma técnica muito interessante e que dá bons resultados. Sem contar que mata dois coelhos com uma cajadada só, ao promover um evento que alinha a estratégia da empresa e energiza seus participantes, promovendo o “team spirit”. O artigo está neste link.
O mercado náutico brasileiro está em alta, apesar da crise e da leve queda no consumo dos produtos de luxo. Aparentemente, os brasileiros descobriram o prazer de ter um barco. Como velejador que sou, lamento que as altas sejam bem mais claras no mercado de lanchas e quase imperceptíveis no mercado de veleiros. Ainda assim, é mais gente no mar. E mais estaleiros instalados.
Santa Catarina tem se tornado um polo nesse setor. Aqui, temos Schaeffer Yatchs, que produz as belas lanchas Phantom, Fibrafort, que detém a marca Focker, e recentemente a Azimut-Benetti se instalou em Itajaí. Não tem como citar todas, mas há muitas outras mais, produzindo lanchas de qualidade e exportando para todo o mundo.
Como o mercado está crescendo, a concorrência deve se acirrar ainda mais ao longo do tempo. Agora é o momento desses estaleiros começarem a procurar conhecer melhor a concorrência, avaliar as condições dos fornecedores e acompanhar as tendências de consumo. Em suma, está na hora de investirem em inteligência competitiva.
Todas as mudanças ocorridas – e que ainda vêm ocorrendo – no Oriente Médio, puxadas principalmente pelos protestos no Egito, geram oportunidades para outros países do mundo. Nesses momentos, de alta pressão social e batalhas pelo poder, há uma grande desestabilização institucional, o que gera insegurança para os investidores.
Empresas que estavam considerando a possibilidade de se instalar em países sujeitos a essas mudanças provavelmente estão reconsiderando. Aí, surge a oportunidade para os governos e captadores de investimentos de outros países em oferecer alternativas. Ásia, África e América Latina são bons substitutos aos países do Oriente Médio.
Contudo, é preciso um pouco – ou um muito – de inteligência competitiva que aponte que empresas procurar, e com que argumentos. Mas, certamente, é uma oportunidade. Até porque, a primavera árabe ainda deve se estender por outras estações.
Há uma nova modalidade de inteligência em discussão: Inteligência da Qualidade. Usando ferramentas de pesquisa de qualidade, mistery client, market research e, é claro, técnicas de inteligência competitiva, é possível para as empresas avaliar seu índice de qualidade em relação aos concorrentes. Em vez de apenas avaliar a sua qualidade, como é o padrão, a empresa se coloca dentro de um universo, o que pode ajudar no momento de tomar uma decisão de investir ou não na melhoria dos serviços.
Afinal, não há porque gastar milhões de reais numa melhoria do sistema de produção se o seu produto já é percebido como o de melhor qualidade pelo cliente. A inteligência competitiva, aplicada nos processos de tomada de decisão, ajuda a economizar. Ou, se for o caso de investir, a manter a competitividade dos produtos e da própria companhia.
No post dessa semana eu vou “afanar” o editorial de Ken Garrison, CEO da SCIP, publicado na newsletter que eles enviaram hoje.
Déjà Vu All Over Again?
We see the daily news feeds on potential defaults at the country level, the instability of banks, the slowing global economy and wild swings in stock exchange valuations. At times, it feels like 2008 again; we can’t be sure what’s going to happen next. Today may be a bump in the road followed by a return to the positive growth similar to that of late 2009 and 2010, or it might be a precursor to another difficult economic period where companies and individuals need to re-evaluate their plans and strategies.
A complex range of options face our organizations; some present the potential for expansion and others create a fundamental change in how our world operates. Unfortunately, not all options are positive. Competitive intelligence professionals must examine all possibilities for their organizations as well as the affect on their firm’s strategic plan.
Senior management requires CI teams to present a broad range of possibilities with careful consideration of the options. Competitive intelligence provides the most value when the choices represent the toughest conditions. In times like these, your professional CI organization can support you with access to information and contacts to help you meet these challenges.
Já escrevi aqui que o Brasil é a bola da vez. Mas agora dá para dar exemplos. Tenho sido cada vez mais procurado por empresas de fora interessadas em informações sobre o mercado brasileiro. Em diversos setores. Ásia e Europa são os principais interessados. Claro, a situação nos EUA não está muito boa e fica complicado buscar investimentos fora quando se tem pouco dinheiro.
Quem tem bom domínio de línguas estrangeiras – principalmente inglês, alemão, francês e espanhol – pode buscar atender a esse mercado, na área de IC. É um trabalho desafiador, já que nem sempre se obtêm facilmente informações que em outros países são públicas. Mas é um trabalho bem interessante. E abre para o conhecimento de mercados muito promissores.